A frase é da música What it’s like, do Everlast.
Esse desenho eu fiz depois de escutar essa música.
Hoje ouvindo uma música que há muito não ouvia, fui levado diretamente aos dias da minha adolescência onde eu dedicava a maior parte das minhas horas vagas a desenhar e ouvir música, coisa que felizmente não mudou muito. E foi justo enquanto pensava sobre isso que percebi que apesar de tudo ter mudado e todas as coisas serem completamente diferentes hoje, nada mudou. Uma grande contradição numa frase nem tão relevante assim, já sei, mas foi o que pensei na hora. E pensando nisso, cheguei a conclusão de que todo esse tempo que passou só serviu pra me deixar mais seguro que tenho exatamente as mesmas inseguranças de antes. A única diferença é que agora eu quase nunca penso nelas. Eu sou exatamente aquele mesmo menino de quatorze anos, só que dez anos mais velho. Dez anos mais certo que quase não tenho certezas. Dez anos mais seguro de toda a minha insegurança.
Pensei nessa frase e me empolguei e acabei escrevendo essas também, que são fragmentos de falas de personagens que eu nunca criarei:
A minha aparência causa um ligeiro desconforto visual em quem me vê, causado por uma notável falta de atributos e qualidade. Algumas pessoas traduzem acertadamente essa característica como “feiura”.
Jaz em minha aparência a beleza que nunca me visitou.
A beleza que morreu com o passar dos meus anos de vida, descansa em paz na minha face terrosa, marcada e suada.
A minha beleza está vestida do avesso, o que faz com que nem eu mesmo a veja.
Galera, essa semana o blog tá meio paradão porque estou fazendo uma camiseta para tentar participar no site Threadless. Aqui o link para ver como está ficando. Sugestões são super bem vindas e agora é a hora para sugerir! http://www.threadless.com/critique/98256/Smiling_Robot
Quando terminei de desenhar este pedaço de insanidade ainda não tinha um nome. A primeira música que ouvi depois disso foi Devil in the details, do Placebo. Looks like he is here to stay.
Eu tenho CERTEZA que o vizinho do apartamento do lado vive em um universo paralelo, onde as minhas paredes são em realidade o chão da casa dele. O que eu ainda não tenho muita certeza é se ele realmente tem aulas de jiu-jitsu das duas e meia até mais ou menos as cinco da manhã ou se nesse universo paralelo dele as piscinas não usam água. Acredito que o fundo da piscina dele seria, para ser mais específico, a parede do meu quarto. Mas essa última teoria ainda me causa um pouco de estranheza, primeiro porque tem uma infiltração enorme na parede e segundo porque se o cara se deu ao trabalho de criar um universo paralelo, como que ele não pensaria em encher as piscinas com bolinhas? Me parece meio absurdo alguém que não pense nisso e exatamente por esse motivo, não ponho minha mão no fogo por essa hipótese.
Essa expressão é engraçada: não ponho minha mão no fogo. Uma vez eu estava no ônibus, indo do dentista para a faculdade e ouvi uma turminha de torcida organizada em um diálogo muito empolgado onde um deles falava com uma segurança invejável de o que dizia estava certo, e esbravejava: eu te garanto! Eu ponho minha MÃE no fogo! Pode crer que eu ponho mesmo! Dizia. Até hoje não sei se ele confundiu a expressão ou se ele estava falando sério. Mas o que importa mesmo é que quando eu era moleque eu adorava as piscinas de bolinha, mesmo depois de quase me afogar em uma. Não me pergunte como foi isso.
Acho que vou enviar uma proposta de emenda a constituição nacional que diga que no inverno e/ou em dias frios, todas as piscinas do país devem ser enchidas com bolinhas COLORIDAS e não com água. Como ninguém pensou nisso antes? Como? Aposto que até os ecochatos vão me apoiar nessa idéia super sustentável e preocupada com o meio ambiente – e o meu ambiente também. Uma coisa de louco! Sou um gênio!
A vontade de criar um blog me consumia. Provavelmente não tanto como o vírus que faz com que os zumbis se tornem zumbis, mas acabou chegando o ponto onde a situação ficou inadiável e comecei a dar os primeiros passos, a pensar em nomes (esse me diverte), etc. E é exatamente nessa fase que comecei a querer provar para mim mesmo, e para os possíveis leitores, que vale a pena criar e ler este blog.
Pensar em fazer um blog é basicamente como criar um pedido de patrocínio a si mesmo. Você quer fazer uma linda apresentação para se impressionar e se convencer que realmente vale a pena voltar a escrever – e ignorar seja lá o que for que te fez parar com seus outros blogs. Você se jura que vai ser mais organizado e vai administrar melhor seu tempo, para se adaptar a mais essa atividade. E é basicamente por isso que esse blog tem tantos textos “introdutórios”: para me convencer. Mas não se preocupe que a partir de agora o blog vai ter mais conteúdo de natureza e qualidade duvidosas e menos tentativas de me fazer crer que vale a pena seguir com a idéia.
Obs.: Se você se interessou pelo blog, guarde o nome “Meu Terceiro Blog” e não “O açougue de minhas próprias idéias” porque este provavelmente vai mudar com o passar do tempo. E um detalhe muito importante: todas as verdades ditas nesse meu caderno público são como as notinhas do Banco Imobiliário e, infelizmente, não valem em nenhum outro lugar. Acredite, eu já tentei usar muitas destas palavras que por aqui espalho em lugares públicos e nunca consegui nada mais que olhares de asco e dúvida: porque esse infeliz ainda está falando?
É, aqui estamos mais uma vez. Eu e a famosa folha em branco, que tanto assusta a tanta gente. E meio que sem muitas pretensões, de minha parte pelo menos, vamos seguindo. Começo a escrever qualquer coisa, basicamente só para ver que ainda existe um blogueiro frustrado escondido em algum canto perturbado e, muitas vezes tedioso, de minha alma. Vejo as palavras aparecendo no papel como se fosse mágica.
Já faz muito tempo que não paro para pensar que não precisamos pensar para compor palavras. Supostamente, precisamos pensar para compor o que essas palavras vão dizer. E é mais ou menos por aí que se guia a minha vontade de voltar a escrever. Sinto falta de pensar em coisas que estariam lindas vestidas em palavras, tirá-las da perversão que faz com que caminhem nuas por minha mente.
É bom fugir do mundo da direção de arte de vez em quando. E se não me engano, quanto maior a frequência, melhor. As vezes me pergunto se o que faço com essas palavras que vou selecionando não é o mesmo que o que faço com um layout, mas a verdade é que não quero pensar nisso agora. Voltemos ao blog, as palavras, aos meus textos.
Nessa minha nova tentativa de criar um diário de memórias nem sempre vividas, pretendo mais que dar vida à palavras, pretendo deixá-las livres a ponto de perderem a compostura, o jeito, a educação e até o ônibus.
Sejam bem vindos e lembrem-se: para ler esse blog não é necessário enfrentar filas, pegar senhas ou perder a paciência com as idiotices que o autor dele escreve. Atenciosamente, alguém que pretensiosamente ousa se intitular de autor. Aproveite que os comentários são gratuitos.